Arquimedes e a coroa
Por: Elisa Batalha e Silvio Bento
Você já reparou que quando você entra em uma banheira ou em
uma piscina totalmente cheia, a água transborda?
Como você viu no experimento com camadas de líquidos, alguns
objetos afundam. E deslocam a água onde foram imersos. Pense em um elefante
caindo na piscina. A quantidade de água que transborda é proporcional ao volume
dele.
Para entendermos por que, precisamos do conceito de empuxo
ou impulsão. A descoberta desse princípio foi feita por um grande sábio, em uma
situação engraçada. Foi assim, como conta a lenda:
Era uma vez um rei. E um sábio. O rei se chamava Hierão, e o
sábio, Arquimedes. Os dois viviam em Siracusa, cidade-Estado da Grécia Antiga.
O rei mandou fazer uma coroa todinha de ouro, mas ouviu uns boatos de que o
ourives não tinha usado apenas ouro para fazer a coroa, e ficou desconfiado.
Mas se a coroa era totalmente dourada, e se parecia muito com ouro puro, como
fazer então para ter certeza sem destruí-la?
É aqui que entra o sábio. Arquimedes já era renomado na
época - quando o termo filósofo era
usado para todos os estudiosos e cientistas em geral - e é célebre até hoje por suas descobertas
na matemática, física e por diversas invenções. Arquimedes teve uma importância
decisiva no surgimento da ciência moderna.
A história mais conhecida de Arquimedes é, porém, como
dissemos, uma lenda. O rei consultou o filósofo para resolver o problema da
coroa de uma vez por todas – provar se ela era toda de ouro ou não. Estava o
sábio grego, um belo dia, a tomar banho numa banheira, entretido com essa
questão. De repente, ele teve um vislumbre da solução e saiu correndo, nu (!)
pelas ruas da cidade, gritando “Eureka, Eureka!”, que em grego quer dizer
“Descobri, descobri!”.
O que ele descobriu foi o que hoje chamamos de
"Princípio de Arquimedes" (que se baseia no empuxo ou impulsão). A
partir dele, podemos afirmar: "um corpo imerso em um líquido irá flutuar,
afundar ou ficar neutro de acordo com o peso do líquido deslocado por este
corpo". Ou seja, se o peso do líquido deslocado por um objeto for maior
que o peso do corpo, ele irá flutuar. Mas se o peso do objeto for superior ao
peso do líquido deslocado, o corpo irá afundar. Se for igual ficará no meio do
caminho, não afunda nem flutua.
E Arquimedes descobriu isso quando tomava banho em sua
banheira, quando percebeu que a quantidade de água que transbordava era igual
em volume ao seu próprio corpo.
E assim percebeu como poderia provar a fraude do ourives.
Ele observou que blocos de mesma massa, feitos de prata e de ouro, faziam
transbordar diferentes volumes de água: por serem materiais de densidades
diferentes, os blocos não tinham o mesmo tamanho (volume). Então, ele mergulhou
numa bacia cheia de água um bloco de ouro de massa igual à da coroa e mediu o
volume de água que transbordou. Fez a mesma coisa com um bloco de prata. O
volume de água que transbordou quando mergulhou o bloco de ouro era menor que o
volume de água quando mergulhou o bloco de prata. Repetiu a experiência com a
coroa e verificou que o volume de água que transbordou era maior que o do bloco
de ouro e menor do que o do bloco de prata
Concluiu que a coroa não era de ouro puro e que o ourives a
tinha feito misturando os metais. Ele usou a densidade para provar que a coroa
tinha sido feita com uma liga (mistura) de ouro e prata.
O rei não deve ter ficado lá muito satisfeito com o
ourives...
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